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Quem
se aventura a escrever ou falar sobre música no contexto da
igreja, hoje, está sujeito a chuva e trovoada.
Por
quê? Porque um número cada vez maior de pessoas está oferecendo
fogo estranho ao Senhor. Alguns, por ignorância; outros, por
teimosia.
Faz
pouco tempo, saímos de cabeça baixa de uma igreja por causa do
tipo de música apresentada durante o culto de adoração. Temos
certeza de que os anjos também se retiraram de cabeça baixa. Não
queremos imitar ninguém, mas o que se apresenta como música em
algumas de nossas igrejas hoje em dia, "é uma
vergonha".
Diz
o salmista: "Louvai ao Senhor, porque é bom cantar louvores
ao nosso Deus; isto é agradável; decoroso é o louvor"
(Sal. 147: 1). Há pessoas que honram ao Senhor, oferecendo-Lhe o
que é decoroso. Estes são os que "não dobraram os joelhos
a Baal". Mas o que é indecoroso? O assunto é vasto e polêmico,
mas queremos relembrar alguns aspectos negativos.
1. Cantar melodia sertaneja ou popular com letra supostamente sacra.
Até o jeito de cantar é trivial; portanto, reprovável. Sem
falar em letras repetitivas, banais, sem coerência doutrinária
ou teológica. Fogo estranho! O Manual da Igreja, página
86, recomenda: "A música profana ou a que é de natureza
duvidosa ou questionável nunca deve ser introduzida em nossos
cultos."
2. Trejeitos vocais. Alguns de nossos "cantores" emitem um som
rouquenho, com voz dengosa, para chamar a atenção dos fãs. É
imitação barata. Outros, poderiam ser chamados de surfistas da
voz: fazem curvinhas para cima, para baixo, para um lado e para o
outro. Deus não aceita o louvor dos que brincam nessa onda, por
mais que digam "amém" no final de suas apresentações.
3. Música estridente. Alguns conjuntos vocais cantam tão alto que quase
explodem os tímpanos dos ouvintes. Não se deve abusar do avanço
da tecnologia. O controle do som deve ser feito por pessoas que
tenham autocontrole, e não por gente destituída de reverência.
"Não o canto alto que é necessário, porém entonações
claras, a pronúncia correta, a dicção distinta." -
Evangelismo, pág. 505.
4. Repertório. O repertório de um cantor ou conjunto deve obedecer a alguns critérios:
melodia e ritmo desvinculados de tendências profanas, arranjos
que incluam bom gosto e equilíbrio, sem dissonâncias
extravagantes, letra condizente com as doutrinas bíblicas, enfim,
música que promova o espírito de adoração e louvor. A advertência
do Manual da Igreja, à página 86, sobre a escolha de
pessoas para cuidarem da música na igreja, merece atenção:
"Aqueles a quem falta discernimento para a devida e
apropriada escolha de música para o culto divino, não devem ser
escolhidos."
Na
maioria das igrejas ocorre um fenômeno curioso. Ou seja, não
existe uma comissão para avaliar as músicas e os cantores. Ora,
isso abre caminho para que pessoas inidôneas imponham seu gosto e
estilo.
Muitos
de nossos jovens (e até adultos) não sabem fazer distinção
entre o joio e o trigo. Por quê? Por estarem condicionados a essa
"água com açúcar" que rola por aí.
Não
devemos generalizar, pois há pessoas, tanto jovens como adultos,
realizando um excelente ministério por meio da música. Tememos,
no entanto, que a atual onda de desvirtuamento continue avançando.
Os
corais de nossas igrejas e colégios, os cantores do Está Escrito
e da Voz da Profecia devem ser modelos ou paradigmas. É também
imprescindível que compositores, regentes e diretores de música
estudem e pratiquem a filosofia de música da Igreja. Tudo com
equilíbrio, bom senso e oração. Não se deve entregar o
controle desse ministério aos fariseus da música nem aos adeptos
do laissez-faire, e sim a pessoas sensatas e "
tementes a Deus. Enquanto é tempo.
Fonte: Revista Adventista, nº 1,
janeiro, 1998, Ano 94
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